• Fernanda Costa

Sobre recomeços, conexões e curar feridas

Atualizado: 4 de nov.

Comecei a escrever este texto em agosto, logo que terminei a minha leitura de Teto Para Dois, mas só agora, em outubro, pareceu certo compartilhar essa experiência. Por quê? Não sei... Mas finalmente consegui tirar fotos que realmente me agradaram para ilustrar o post e senti que era chegada a hora...



Talvez Teto Para Dois nem tivesse a pretensão de me fazer pensar em tantas coisas ao mesmo tempo. Talvez a única pretensão do livro fosse me contar a história de Tiffy e Leon, ser mais uma das minhas leituras deste ano e só. Mas ele me levou a pensar em coisas demais, coisas que eu sequer imaginei que fosse cogitar refletir com ele em mãos.


Tiffy precisa sair da casa do ex-namorado, este que, conforme avançamos a leitura, descobrimos se tratar de um manipulador sem escrúpulo algum. Nessa busca por seu recomeço e com o anseio de dar logo um basta numa situação que vem se arrastando por tempo demais, Tiffy acaba parando no apartamento de Leon, que está em busca de alguém para dividir o apê, mas não nos termos comuns de um colega de casa como estamos acostumados aqui: Leon trabalha à noite e precisa de grana, então, resolve que é uma ótima ideia “sublocar” o local, ou seja, enquanto ele passa o dia no apê, seu roomie passa a noite e os finais de semana, já que Leon não fica por lá. O plano parece bem simples, eles nem precisam se encontrar, mas acabam criando laços de uma forma completamente inesperada: através de post-its. E assim, por meio de pequenos pedaços de papéis, os meses passam e eles vão se conectando muito mais do que esperavam.



Mesmo sendo uma pessoa de poucas palavras, Leon se deixa levar pelo jeito espontâneo de Tiffy, que costuma emendar post-its e fazer uma enorme sequência de bilhetes para ele. E, dessa forma nada convencional, os dois passam a ter algo que não conseguiam ter em suas relações anteriores: um simples diálogo. Vale salientar aqui que, quando a história começa, Leon está num relacionamento e, como todo bom clichê, é óbvio que a namorada não apoia a ideia da sublocação do apartamento por puro ciúme, principalmente quando vê outra mulher envolvida na história. Desde o primeiro momento, fica óbvio o quanto Kay e Leon não funcionam, são apenas pessoas presas num relacionamento acomodado e seguro, eles mal conseguem estabelecer um diálogo sério sem que Kay revire os olhos completamente entediada. Ao contrário de Tiffy, que sempre parece disposta a saber mais sobre Leon.


Quantas vezes a vida não nos leva para esse tipo de lugar? O de conhecer alguém e parecer que já faz muito tempo que vocês se conhecem. Esse é o tipo de situação que me pega muito e vez ou outra acaba acontecendo em alguma amizade.


Enfim, Teto para Dois acabou me pegando também quando aborda um pouco a questão de curar feridas. É meio óbvio o quanto Tiffy estava machucada por causa do relacionamento anterior e ela simplesmente não sabia o quanto nem como começar a se curar. Leon é uma pessoa extremamente compreensível, principalmente ao mostrar que não deveria partir dele essa “síndrome de salvador'', muito pelo contrário, as coisas só passariam a funcionar quando Tiffy estivesse pronta e aberta para enfrentar seu próprio processo. Nem mesmo os amigos de longa data de Tiffy pareciam se intrometer muito nessa questão, assim como Leon, eles queriam que a amiga se desse conta do que ela precisava por conta própria. Todos eles meio que fizeram um pacto implícito para respeitar o tempo dela. E, no fim das contas, é isso, né? Curar feridas depende apenas de nós mesmos e de como escolhemos lidar com nossos gatilhos. Nesse processo, podemos ou não abrir espaço para outras pessoas, mas nem sempre há maturidade de ambos os lados para entender e encarar a situação de uma forma saudável.



Mesmo sem pretensão alguma, o livro me lembrou diversas coisas que eu mesma precisei encarar ao longo da vida enquanto me relacionei com outras pessoas e por mais que Teto para Dois seja um romance-clichê-bem-farofa, ele acaba cumprindo esse papel muito bem e indo além. Pelo menos pra mim. E espero que ele possa te impactar de alguma forma também.


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