• Nati Aguilar

Quadrinho | Scott Pilgrim contra o mundo


Eu conheci o Scott na figura do Michael Cera pra logo em seguida colocar a Ramona, na carinha da Elizabeth Winstead, como uma garota para ser na lista das minhas garotas que eu quero muito ser.

Era um filme que eu não cansava de assistir e que inclusive ainda gosto muito, mas que depois de ter finalmente feito a leitura do quadrinho, se tornou extremamente problemático pra mim. Mas daqui a pouco a gente chega nesse assunto.


O quadrinho vai trazer a história desse garoto, o Scott, que se vê encantado demais por essa menina com quem ele sonhou e que nunca tinha visto antes e que de repente ele encontra na biblioteca fazendo uma entrega para a Amazon.

Inclusive, que incrível a forma como o Bryan Lee O\’Malley coloca no meio da história, elementos fantásticos e reais, o imagético e o concreto. A história se passa em Toronto e é pontilhada por lugares reais que a gente pode ir pesquisando e se apaixonando aos poucos. Até o final do quadrinho você é fisgado e não tem jeito: já está pesquisando passagens pro Canadá.


O Scott é esse rapaz de vinte e poucos anos que procura um emprego, não sabe direito o que está sendo a própria vida, possui uma banda com os amigos e tem uma namorada colegial com quem ele não sabe como lidar muito bem. O Scott é uma representação muito perfeita de quem eu sou e aposto que todo mundo de vinte e poucos anos vai se identificar também, porque quando se releva os detalhes que fazem do Scott o Scott, a gente descobre que o que tem dentro dele tem dentro da gente também.

E é gostoso acompanhar o quadrinho por causa disso: a gente vê o Scott e os amigos viajando, trabalhando, cantando, tendo crise no relacionamento, tendo crise com quem se é e sobrevivendo a tudo isso. E enquanto a gente lê, a gente se vê lá também, é sobre a gente tudo aquilo.


Mas o plot da história parece bem absurdo num primeiro momento e as vezes é até simples demais, até que você saca (superficialmente) do que é que o O\’Malley está falando.

O Scott conhece a Ramona e tenta se aproximar e manter toda aquela conversa dos que se querem até perceber que ser namorado dela não vai ser fácil: ele vai precisar derrotar os sete ex-namorados do mal que ela já teve.


É bem fácil perceber que tudo isso é sobre a bagagem emocional que a pessoa que está conosco tem e em certo momento percebemos que é o Scott quem mais se incomoda com essa bagagem. Os ex-namorados da Ramona, por mais \”do mal\” que eles sejam, fazem parte dela. E de novo a gente se volta pra dentro da gente.

Assim como o filme, Scott Pilgrim contra o mundo é um quadrinho que traz bastante o visual e ritmo dos vídeo-games pra história. E essa profusão de conteúdos deixa tudo tão rico e especial: essa paixão do autor pelos games, o traço muito característico dele, as alegrias e incongruências de ser um jovem adulto nos dias de hoje. Tudo isso se juntou para ser arte.


A história, que era simples ali no começo vai ganhando contornos mais sérios sem perder o humor e o ritmo. Inclusive, a grande questão é apresentada de forma muito sutil, quem não estiver atento talvez nem perceba.

É inclusive nesse ponto que eu comecei a perceber o quanto é triste que o filme seja tão focado no plot mais superficial do quadrinho. Veja bem, eu não vou entrar em detalhes da grande questão que a HQ levanta porque é um spoiler, mas não posso deixar de falar disso.


A Ramona do filme é essa garota decidida e misteriosa, a gente acaba se apaixonando por ela e criando nela essa imagem de que é areia demais pro caminhão de todo mundo. No quadrinho, ela é quietinha, vive do seu próprio jeito, é super companheira, aquela amiga que você quer muito ter. E esse jeito dela de ser mais introvertida vai se explicando ao longo da história e a transforma em uma personagem encantadora demais.


Nos apaixonarmos de verdade por quem a Ramona é faz com que odiemos os namorados do mal. No filme, odiamos todos eles porque queremos que o Scott fique com ela. No quadrinho, odiamos porque nenhum deles merece uma garota tão legal, talvez nem o Scott mereça. Inclusive, acho cruel demais o que o O\’Malley faz com a história da Ramona na vida que ela teve antes de conhecer o Scott.


Então eu paro por aqui dizendo: preste atenção na relação da Ramona com os ex-namorados e aproveite a viagem de autoconhecimento que esse quadrinho proporciona. Eu demorei de achar algo assim e guardo no peito protegendo com muito carinho. E esse é o momento em que você divide comigo livros que também te deixaram assim.

#BryanLeeOMalley #Quadrinho #QuadrinhoAmericano #ScottPilgrim

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