• Napolitano como meu pé

Papo de clube: Tag, experiências literárias

Esse ano eu ouvi um podcast do Publishnews em que eles convidaram as cabeças por trás de alguns clubes de assinaturas e eu odiei tudo! Ainda quero conversar sobre isso com vocês, sobre como eu odeio a ideia (pelo menos inicial) dos clubes de leitura, como eu odeio a prática deles e alguns detalhes que me deixam raivosa apesar de saber que são positivos. Mas realmente deixa pra depois.


Eu não escrevi sobre o assunto ainda, inclusive, porque não quero escrever com emoção. Quero ser racional e levantar argumentos válidos pra fazer vocês entenderem com precisão o meu lado. E eu queria trazer uma conversa completinha, de modo que comecei a listar os clubes de assinatura, clubes de livros e encontros literários por aí e a lista é infinita! Nunca ficava pronta! E apesar de isso ser incrível, eu fui só postergando o texto porque não acabava a preparação.

Mas pesquisando sobre tantos clubes de assinaturas, eu resolvi trazer um conteúdo pra cá (e pra minha estante) que normalmente eu não trago e que é bem comum por aí: a comparação de clubes. Eu fiquei muito empolgada com o clube da Todavia mas achei que devia começar assinando o responsável por fazer voltar ao mercado brasileiro essa ideia: a Tag Livros.


Como a Tag funciona acho que todo mundo meio que já sabe, até quem nunca teve muito interesse, como eu. Então quero focar aqui no “subtítulo” deles, o “experiências literárias” e conversar com vocês sobre isso. Pra começar que eu assinei a caixinha de dezembro do Tag Curadoria porque o brinde do mês era um livro com três contos inéditos do Fitzgerald e vocês bem sabem que eu amo demais o Fitzgerald.

Fora isso, o que eu sabia sobre o livro principal era: foi indicado por Mia Couto. Nunca li nada do moçambicano mas ele figura na minha lista de querências há tempos e no meu círculo de amigos, muitos sabem só elogiar o autor. Confiei.




Inclusive, acho que cabe aqui o comentário: dos clubes da Tag, o que mais combina comigo é mesmo o Curadoria. Se você der uma olhada nos livros que eu comento aqui e no instagram, vai ver que eu sou bastante voltada pros clássicos e faço muitas ligações entre os livros, um sempre vai me lembrar algum outro. E eu tive duas experiências com o Tag Inéditos porque era assinado pela minha chefe e dois deles eu peguei emprestado. Um foi O bom filho que como vocês podem ver aqui, eu odiei. O outro foi Os sete maridos de Evelyn Hugo que eu gostei bastante mas que demorou a me conquistar. De um lado, as mesmas chances de gostar do que no outro, mas do tal outro lado, alguns dos autores eu já conhecia e gostava, então não foi difícil a minha decisão.

Pois bem, a caixa chegou e eu não sabia bem o que ia encontrar, então abri meio emocionada. Acredito que se continuasse assinando, essa emoção passaria, mas logo chego aí. A caixa chegou e dentro dela vieram o livro do mês, o livrinho de contos, publicado pela Antofágica e um cartaz com a proposta de leitura diária.


Uma coisa que eu não gosto nesses clubes é a quantidade de cacarecos que vêm nas caixas. Eu tento, sem apelar pro exagero, diminuir meu lixo e receber brindes todos os meses, objetos que eu não quero, que eu não compro, de materiais que eu não utilizo, não me agrada. Como eu disse, o mimo de dezembro foi um livro, então pra mim acabou não sendo lixo, mas o cartaz e outros dois papéis de avisos foram inúteis pra mim. Os avisos podiam ser enviados por e-mail ou colocados no aplicativo deles (já chego aí) e o cartaz eu entendo a proposta, é algo realmente incrível, principalmente pra quem não tem o costume de ler todo dia, mas eu ainda assim achei desnecessário.

A Tag tem dois aplicativos, um para cada clube, onde você pode conversar com outros associados, saber de eventos literários relacionados ao livro do mês e conhecer conteúdos extras sobre a obra. Então vamos lá que agora começa o que mais me empolgou e me decepcionou na Tag.


O aplicativo é incrível. Quando a caixinha chega, você desbloqueia a área do livro do mês e nela você encontra conteúdo dividido em três partes: para antes, durante e depois da leitura. É um conteúdo muito divertido de assistir e um complemento ao caderninho que vem junto ao livro na caixinha.

O aplicativo funciona também como uma rede social, onde você compartilha em salas de conversa privadas e públicas sobre o livro e devo dizer: não senti falta disso! E aqui um trecho da minha pessoa reclamando das outras pessoas: a Tag postou no aplicativo avisando que já era possível desbloquear o conteúdo do mês, principalmente a parte anterior à leitura. Pois bem. Vi gente reclamando de spoiler nesse conteúdo, mas depois de ler tanto o conteúdo quanto o livro, não consegui entender do que a pessoa reclamava! Não tinha spoiler algum! Tinha informações sobre o título original, que contava uma leve passagem do livro pra explicar o título. A tal passagem não faz diferença nenhuma na experiência de leitura. Que mania de chamar tudo de spoiler!


Outra coisa chata que vi nos usuários do aplicativo: um moço comentou que o livro do Fitzgerald era muito pequeno, muito menor do que os menores livros da Antofágica (que foi quem publicou em parceria com a Tag).. Mas gente do céu, são três contos, não tem como fazer três contos renderem em um livro grande! E se dizer decepcionado com um brinde que custou um nada pra você é reclamar muito de barriga cheíssima! Porque sinto muito te informar, mas pelo preço da caixinha, você tá pagando só pelo combo livro e livretinho de informações. O brinde sai praticamente de graça…

Então, falando na caixinha: no mês de dezembro vieram o livro do mês e um caderninho que também é dividido entre antes e depois da leitura e o brinde que como eu já comentei, é um livrinho de contos do Fitzgerald.


Eu adoro pesquisar sobre os livros que quero ler porque o processo de pesquisa me dá mais vontade de fazer aquela leitura. Então receber já pronta essa pesquisa e saber que depois da leitura eu vou ter mais coisa pra ler sobre aquilo, me empolgou demais! E eu adorei a sensação de novidade que foi abrir a caixinha e ver tanta coisa legal pra ler e fiquei com vontade de devorar tudo de uma vez. Mas eu não pude evitar o pensamento de que até dou conta de ler um mês tudo isso, mas não daria conta de unir uma caixinha na outra. A ressaca literária seria certa.

Fiquei pensando como clubes de assinatura não são pra mim, porque eu adoro escolher minhas leituras e por mais que seja delicioso receber informações sobre os livros que vou ler, eu adoro fazer a pesquisa. Claro que eu ainda posso pesquisar sobre o livro que recebi, mas a vontade diminuiu. E pra um ano em que tentei diminuir o consumismo de livros, me repeliu a ideia de livros chegando todos os meses e se acumulando na estante simplesmente porque existem outras prioridades de leitura – leituras que eu efetivamente escolhi.


Claro que um lado positivo demais é que nesse único mês em que assinei a Tag eu li um livro que dificilmente chegaria às minhas mãos. E ele abriu minha cabeça pra literatura africana, que eu sempre digo que vou ler mas sempre deixo pra depois. E mais que isso, me abriu a cabeça pra história de colonização da África e como essa história está tão ligada à história brasileira. Como raios a gente deixa isso passar?

Mas o que mais me deixou chateada é que assim que você se desvincula da Tag, perde o acesso ao aplicativo, o que me fez correr pra ler o livro que chegou pra conseguir consumir todo o conteúdo disponibilizado por eles. E isso me deixou chateada: odeio a ideia de literatura ser exclusiva. Por mais que livros tenham um preço abaixo do que deveriam ter, eles já são muito caros. Não existem bibliotecas suficientes pelo Brasil, o que faz da leitura um hábito bastante exclusivo. Transformar obras literárias em algo mais exclusivo ainda me entristece.


Não sei como terminar esse texto. Vou então perguntar: você assina algum clube? O que você mais gosta nesses clubes de assinatura?

#Papodeclube #TAG