• Napolitano como meu pé

Livro | O deserto dos meus olhos (Leon Idris)

Eu comento bastante até, por aqui, do instagram do Napolitano. Mas acontece que uma das coisas que eu mais amo fazer e que eu realmente faço muito bem, é comentar as coisas que estou lendo e por lá eu faço isso com certa liberdade. Então se você se der ao trabalho de abrir seu instagram agora e digitar lá @meunapolitano e procurar O deserto nos destaques vai ver muito da minha história com esse livro e o desenvolvimento da minha relação com ele conforme eu ia avançando na leitura.



Mas caso você esteja com preguiça de fazer isso, eu resumo: eu adorei esse livro. Ele teve um gosto muito particular pra mim (aliás, vocês também sentem o gosto de algumas leituras? Quando elas são muito boas ou muito ruins? Não é possível que seja só eu!): li em abril de 2020, ainda não tinha completado um mês de isolamento e meus dias estavam sendo divididos entre muito trabalho, ansiedade e angústia. Eu li O deserto dos meus olhos no meio desse turbilhão, tentando arranjar uma rotina saudável dentro de casa, sentindo vontade de me tacar na parede pra ver se passava o sentimento de me sentir presa em domicílio e usei a leitura dele pra me afastar do celular e das milhares de lives que desde então tomaram as redes sociais.


Eu vou te ser sincera: demorei pra sentar pra escrever sobre esse livro porque não sei bem o que falar sobre ele – além do “achei maravilhoso” – nem sei até onde contar. Então vamos aos poucos que se eu sentir que tô prestes a passar algum limite, eu puxo minha orelha e se tiver sorte, te deixo curioso.


Este é um livro sobre o Rupert: ele é o personagem principal e eu confesso que imagino ele como um ursinho branco todo simpático. Mas deixando de lado a infância, posso dizer que o Rupert vive na Espanha, em 1868 e precisa, junto a Benjamin, realizar uma missão. É claro que o primeiro capítulo acaba com um gancho absurdo que te faz correr pra página seguinte e ter seu tapete puxado. O Leon não só deixa pra depois a continuação daquilo como apresenta uma situação completamente diferente da primeira. Foi impossível não lembrar de Se um viajante numa noite de inverno, do Italo Calvino.


A partir daqui eu não sei mais o que dizer. Não quero dar detalhes da história porque além de ter ojeriza da galera que é contra spoilers, eu realmente acho que nesse caso algum detalhe a mais pode estragar a experiência de leitura desse livro. Mas dá pra dizer que a história começa como peças soltas numa bancada, que você vai separando as parecidas e encaixando aos poucos até finalmente conseguir enxergar a imagem inteira. Mas acho legal avisar que a tal imagem não é uma fotografia ou arte impressionista. Tá mais pra um Picasso, Kandinsky, ou Miró, um carnaval colorido e delicioso, de final imprevisível dentro da própria previsibilidade ou clichê.

Você se apega aos personagens enquanto sua cabeça se acostuma à narrativa e quando percebe, está torcendo por eles mais do que achava que torceria ao começar o livro. Quando a história passa a fazer sentido, a sensação é se estar num trem que já começa a viagem dentro de um túnel. A cada página o trem se aproxima da saída e vai aumentando a velocidade. A luz chega aos poucos mas cega: você vai encaixando as peças mas quando entende, não consegue parar, é terminar ou terminar.


Acho que eu desisto de escrever sobre esse livro. Leiam, é isto. Pra que dizer mais alguma coisa além disso?