• Napolitano como meu pé

Livro | O bom filho (You-Jeong Jeong)

O bom filho é um drama psicológico que acompanha um pequeno recorte da vida de Yu-Jin. Ele acorda ao sentir um cheiro metálico e identifica esse cheiro como sinal de que está prestes a sofrer uma convulsão.

E é assim que a gente descobre algumas coisas importantes sobre Yu-jin: ele sofre com convulsões violentas e desde os 9 anos se vê obrigado a tomar medicamentos regularmente para evitar essas crises. Deste modo, ele percebe que uma convulsão se aproxima porque há algumas semanas ele parou de tomar o remédio.


Quando a tal convulsão não chega e ele se sente confiante para levantar da cama, percebe que algo está terrivelmente errado.

Sua mãe não o acordou no horário habitual, seu irmão acabou de ligar perguntando da mãe e até da tia o celular registrou ligações. Quando se olha no espelho, percebe que está coberto de sangue, assim como seu colchão. Ao descer as escadas da casa tentando lembrar como ficou em tão deplorável estado, encontra a mãe morta e estirada no chão.

A partir daí, a gente fica esperando a história dar uma guinada mas o livro só foi me pegar nas últimas cinquenta páginas. Antes disso, a gente consegue entender o que está acontecendo muito antes do personagem e todo o caminho que ele percorre tentando perceber o que a gente já sabe, simplesmente não convence.


A autora passou grande parte da vida trabalhando em hospital, de forma que a gente entende que ela deve ter bastante conhecimento sobre o que está narrando, mas como é difícil acreditar nisso! O pior é duvidar do conhecimento da autora sabendo claramente que o seu próprio conhecimento não é parâmetro nenhum nesse caso. Mas guardei minhas questões numa caixinha para pesquisar algum dia na minha vida.

Eu fiquei me questionando bastante o quanto desse livro ter sido decepcionante pra mim é responsabilidade da narrativa, do personagem não ser cativante e do fato de sabermos tanto sobre psicopatia atualmente.


O que eu sei é que a narrativa do livro é bem lenta e arrastada, cheia de detalhes que não fazem diferença pra história e cortes narrativos do presente para o passado numa frequência enervante.

Entretanto, diferente de todos os detalhes apresentados pela autora, todos os cortes narrativos foram bem-vindos, ajudaram a construir o pouco suspense que a história apresenta, apesar de em alguns momentos ela usar o recurso apenas para reforçar características dos personagens que nós já cansamos de saber.


O personagem, como eu disse ali em cima, não é simpático nem cativante, mas de certa forma isso é explicado no livro, apesar de nenhum outro personagem ganhar nossa afeição. Mas de novo: a gente sabe tanto de alguns psicopatas que fica bem difícil aceitar o fato de nenhum personagem chamar nossa atenção de alguma forma mais especial.

Talvez você tenha percebido que este não foi um livro que me conquistou e é, inclusive, o primeiro livro em anos, que eu leio e tenho certeza que não vou querer reler. Encontrei por aí muitos elogios a ele, com os quais eu não consegui concordar.


A única coisa que me agradou foi perceber o quanto é diferente e positivo ler um livro que não seja americano ou europeu, com nomes diferentes e lugares de descrição tão rara nas nossas (minhas!) leituras.

Li esse livro na edição publicada pela Tag (que inclusive, não recomendo. Espero que a Todavia realmente publique este livro logo mais e com uma revisão mais cuidadosa) para o desafio Leia Mulheres de abril, cujo tema era uma “escritora asiática”.


Portanto, fica aqui um convite: vem me indicar livros asiáticos que eu tô carente disso!

#Literaturacoreana #Obomfilho #YouJeongJeong