• Napolitano como meu pé

Livro | Neuromancer (William Gibson)


Eu não sei bem quando surgiu a vontade de ler Neuromancer. Eu queria ler algo do cyberpunk e resolvi ir fundo: comprei a trilogia de uma vez e logo em seguida talvez eu tenha me arrependido.

Tudo porque um amigo, que tem as opiniões que eu mais respeito no mundo, não gostou, achou confuso, talvez não tenha entendido. Duvidei da minha capacidade e devo dizer: continuei duvidando ao longo da leitura.


Neuromancer é um livro que precisa de muita abstração para ser lido. Você não vai entender tudo e precisa aceitar isso antes de começar a leitura. É um livro completamente pop, então talvez facilite sua vida ir comparando os detalhes com outros conteúdos da cultura pop.

O Case, personagem principal, é um cowboy do cyberspaço, algo que hoje se aproxima muito do que chamamos de hacker. A ambientação do Sprawl, o lugar em que ele vive, algo como o Estado em que ele vive, é completamente confusa, cheia de informação. Lembrei bastante de Star Wars e aquela miscelânea de extraterrestres, sabe? Os corres que o Case faz lembra muito o filme Matrix, não à toa. Matrix foi inspirado por Neuromancer e ainda é um exemplo muito bom de filme pop: todo mundo adora, reverencia e referencia.


Mas voltando. O Case traiu a empresa para a qual trabalhava e como retaliação, a empresa o capturou e injetou nele toxinas que o impedem de voltar à matrix e continuar seu trabalho de hacker cowboy. Ele entra num ciclo medonho de autodestruição e é inclusive um trecho muito bom do livro esse do começo.


Os hábitos de autodestruição do Case chamam a atenção de outra corporação e perceber que ele era um dos melhores cowboys do rolê impressiona. Case recebe uma segunda chance, é curado temporariamente e recebe (ou o leitor recebe?) um discurso sobre o quão perigoso é não ter (ou perder, ou forçar a perda) o equilíbrio emocional necessário pra viver.


O livro é completamente confuso mas alguma coisa você vai conseguir entender. Ele se destaca por trazer em sua narrativa uma tecnologia que o mundo foi experimentar muito tempo depois do seu lançamento. Ou seja: se eu entendi entre 60% e 75% do livro, a galera dos anos 1980 deve ter sacado só um quarto da coisa toda.

Mas como eu disse lá em cima, Neuromancer é completamente pop e faz lembrar muito a estrutura narrativa de alguns filmes que a gente adora: Matrix, Star Wars, Indiana Jones, qualquer filme do velho oeste, filmes de espionagem. Case precisa trabalhar com Molly para o bem da missão recebida. Juntos, eles vão atrás de resolver os problemas propostos e ainda tentam desvendar mistérios que interessam apenas a eles. Tudo isso enquanto Case luta contra o tempo: essa supercorporação que o contratou limpou todo seu organismo drogado mas colocou uma bomba-relógio no lugar: nenhuma droga surte efeito nele mas quando o tempo acabar, Case volta ao nível destruído do começo do livro.


No final das contas, Neuromancer é um livro que vale a pena pelos nervosos que a gente passa, pelas imagens incrivelmente claras que o Gibson descreve e por todo discurso filosófico do texto. Eu juro que não esperava encontrar ecos de Freud num livro cyberpunk

E eu sei que esse texto disse nada de nada sobre o livro, mas acontece que o que fica dele com a gente é um agrupado de imagens. Pode não ser o melhor livro da sua vida, mas é sim um livro importante e que ainda vai ser atual por muitos anos.


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#Neuromancer #WilliamGibson