• Nati Aguilar

Livro | Lovely War (Julie Berry)

Existe algo em histórias de guerra que fazem com que nós nos apeguemos de forma mais fácil aos personagens e suas histórias. Talvez a ideia de que tudo seja momentâneo e que deveriam viver como se o amanhã não existisse, porque, em alguns casos, é realmente o que acontece, deixe tudo ainda mais extremo.


Mas essa história não é sobre a Primeira Guerra Mundial, ou as influências dela na vida dos europeus. Já lemos tantas histórias assim, não há mais o que tratar sobre esse momento histórico. Nós podemos recontar algumas histórias ou utilizar outros recursos narrativos para trabalhar essas questões. Então foi isso que Julie Berry fez.

Esse livro não é sobre a Primeira Guerra Mundial. Ele é sobre o amor, e em como a deusa do amor nunca poderá ser amada da mesma forma como faz seus devotos amarem. É uma história sobre até onde as influências dos deuses nas pessoas trilham os seus caminhos e os fazem conquistar seus sonhos.


Iremos acompanhar a história de quatro personagens tentando encontrar seu caminho e trilhar sua história enquanto a Europa encontra uma catástrofe. Mas a história real acontece em Manhattan. Afrodite é pega traindo Hefesto com Ares. Hefesto fica extremamente bravo com a situação, mas quando a deusa da beleza e do amor questiona o marido se ele a ama, a resposta nunca é encontrada.

Afrodite então decide contar para os dois o motivo pelo qual ela nunca poderá ser completamente amada por qualquer outro mortal ou imortal. E em como ela nunca poderá ser julgada por ninguém pelo o que faz, porque, a partir do momento em que não há amor em uma relação, ela está fadada à acabar.


Ela chama por Apolo e Hades, e então, junto a Ares, os quatro deuses olimpianos contam a partir de suas versões e visões o que aconteceu pela Europa e o que isso influenciou as pessoas, as artes, as máquinas e o pensamento da época.

Chega a ser poético como Julie Berry trata a narrativa entre os deuses e em como essa mudança de narrador influencia tanto no foco da narrativa. E, conforme chegamos ao final, começamos a compreender que cada ação de Afrodite sobre o seu casamento estava correta.

Fazia muito tempo que eu não lia um romance de época que me deixava emocionada, que me envolvia tanto e me deixava com vontade de continuar. Devo tudo isso à narração de Afrodite, que deixa tudo ridiculamente tão apaixonante que fico sem palavras.


Espero que as editoras brasileiras pensem em trazer esse livro para o Brasil, porque este é um dos poucos romances de época que valem a pena.

#JulieBerry #LiteraturaAmericana #LovelyWar

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