• Nati Aguilar

Filme | Não por acaso

Atualizado: 8 de abr.


O filme brasileiro que eu assisti semana passada foi o Não por acaso, dirigido por Philippe Barcinski.


O filme acompanha a vida de dois personagens, Ênio (Leonardo Medeiros) e Pedro (Rodrigo Santoro). Um não interage diretamente com o outro durante todo o longa, mas suas vidas são conectadas a partir de um acidente em que o carro da ex-mulher de Ênio, Mônica (Graziella Moretto), atropela a namorada de Pedro, Tereza (Branca Messina), provocando a morte de ambas.


A partir desse acontecimento, a vida dos dois, que corria tranquila e da forma esperada, vira de cabeça pra baixo: Ênio, um engenheiro do trânsito, que percebe claramente quando as ruas vão ficar engarrafadas, não consegue prever que sua filha Bia (Rita Batata), de 16 anos apareceria na sua vida.


Pedro, um jogador de sinuca, que possui total controle do caminho que as bolas farão, não consegue controlar o turbilhão de emoções e acontecimentos que o invadem.


O filme é em sua totalidade uma divisão entre a corrente existencialista e a determinista: Ênio sabe que no trânsito tudo segue seu curso tranquilamente, até que por exemplo, algum caminhão quebra, gerando congestionamento durante horas e tirando de suas mãos o controle da cidade, em um exemplo de determinismo. Pedro sabe que pode dar à bola branca o caminho que ele quiser, de acordo com o ângulo que ele a lançar. Assim, controla totalmente o jogo, sem possibilidades de outro destino, sendo assim, existencialista. Pedro, entretanto, percebe rapidamente que nem tudo está em suas mãos: quando fica sabendo que Tereza morreu, fica repassando diversas vezes o momento que ela sai de casa, diversos pequenos acontecimentos que retardariam ou adiantariam a sua saída, mas que terminaria de qualquer modo com a sua morte, trazendo aí, mais uma vez, a temática determinista.


Outra coisa que o filme trouxe de forma bem clara pra mim, foi mostrar a forma como nossa vida está entrelaçada com a vida de pessoas que a gente não conhece. Mônica era ligada à Ênio e à Bia, mas não conhecia Tereza, que era ligada à Pedro, que não conhecia Lúcia (Letícia Sabatella), inquilina da moça.


Quando, porém, Mônica atropela Tereza, uma pessoa completamente desconhecida, faz com que Pedro conheça Lúcia e que Ênio passe a conviver com sua própria filha, a Bia.

Não por acaso é um filme parado, cheio de conclusões possíveis quando se abre para o pensamento do expectador. Um ótimo filme brasileiro, pouco divulgado e que vale cada segundo. Sem dúvida meu preconceito com filmes brasileiros caiu consideravelmente quando o assisti.


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