• Nati Aguilar

Enquanto isso, em 1973…

Atualizado: 8 de set.

… Lygia Fagundes Telles publicava As meninas. O resto do mundo continuava sua jornada e inclusive, muitas coisas aconteceram nesse ano.

O livro da Lygia tem como plano de fundo a ditadura militar brasileira mas ele conversa bastante com o plano político de algumas partes do mundo. Em 1973 o presidente do Chile, Salvador Allende, foi deposto por conta do golpe militar que foi instaurado através de Augusto Pinochet.

Aqui no Brasil, Médici entrou no poder. Mas nem só de perdas de liberdades viveu 73: as Bahamas conquistam sua independência (até então era território da Coroa Inglesa), assim como a Guiné Portuguesa, hoje conhecida como Guiné-Bissau (entretanto, os portugueses só foram reconhecer a independência no ano seguinte).

Eu não sei você, mas saber que As meninas é fruto e relato de uma época tão pesada e importante na história do Brasil, fico imaginando e desejando livros que também tratem de todos esses temas que formaram a história recente do mundo. Mas calma que já chego nessa parte.

Falando em livros, a produção cultural musical foi bem intensa: Aerosmith lançou seu primeiro disco, com a fabulosa Dream on. Quem também apareceu em 1973 pela primeira vez foi o Queen! Pink Floyd lançou Dark side of the Moon. No Brasil foi a estreia de Secos & Molhados com seu primeiro disco e Raul Seixas entrega pra gente o hino Metamorfose ambulante.




Muitas mortes marcaram 1973 e enquanto eu pesquisava, fui sentindo cada uma delas. Salvador Allende teve uma morte duvidosa por causa do golpe. Pablo Picasso e Tarsila do Amaral também morreram. Na literatura, perdemos Pablo Neruda (acredita que nunca li nada dele?) e Tolkien.

Pra não terminar com coisa triste, alguns acontecimentos bem legais: o World Trade Center foi inaugurado em 1973, a primeira novela brasileira em cores passou na tevê (O bem-amado!) e o Nobel de literatura foi para Patrick White, da Austrália, \”por uma arte épica e psicológica, que introduziu um novo continente na literatura\”.


Mas se você ficou curioso com as coisas ditas aqui, aqui embaixo você consegue escutar a playlist que criei com algumas músicas de 1973. Quanto aos livros, se liga na lista de desejos que me surgiu:

No Brasil, apenas dois livros de Patrick White foram publicados e são encontrados só em sebo pelo que pude perceber. São eles Voss e A árvore do homem.

Sobre a ditadura chilena, acho que não dá pra esquecer de falar da Isabel Allende, sobrinha do presidente deposto, que estreou na literatura com A casa dos espíritos, uma saga familiar. Nunca li e puxa vida, como quero! Aliás, da Isabel Allende, temos o De amor e de sombra, que tem como plano de fundo os primeiros anos do golpe.

Ainda sobre a ditadura chilena, encontrei alguns títulos que me despertaram muita curiosidade. Muitos falam explicitamente sobre o golpe, outros o citam:

  1. Estrela distante, de Roberto Bolaño

  2. Formas de voltar para casa, de Alejandro Zambra (leia a entrevista incrível que ele concedeu ao Ubiratan Brasil aqui!)

  3. Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa

  4. A aventura de Miguel Littín clandestino no Chile, de Gabriel García Marquez

Fora isso, listei alguns livros publicados em 1973 que me deixaram bem curiosa:

  1. Pantaleão e as visitadoras, de Mario Vargas Llosa

  2. Água viva, de Clarice Lispector

  3. Kadosh, de Hilda Hilst (inicialmente chamado Qadós)

  4. Sala de armas, de Nélida Piñon

  5. O caso Morel, de Rubem Fonseca

  6. O homem de fevereiro ou março, de Rubem Fonseca

  7. O exército de um homem só, de Moacyr Scliar

  8. O fim de tudo, de Luiz Vilela (ganhador do prêmio Jabuti de 1973 na categoria Contos / Crônicas / Novelas)

#Enquantoisso

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