• Napolitano como meu pé

Coração na mão | E a flor na pele

Sexta-feira passada fui oficialmente diagnosticada com psoríase e bem, não foi uma surpresa, eu já desconfiava. Há um tempo eu via meus cotovelos ficarem cada vez mais ásperos e desenvolverem um ciclo esquisito de maciez, caroços, coceira, rachadura, placas \”prateadas\”.

Ultimamente tem estado só nas placas e eu internamente torcia pra ser só uma pele extremamente seca (de certa forma é) e comecei a abusar do hidratante na região. Bem, não fez lá muita diferença.

Eu resolvi aparecer por aqui e \”conversar\” porque essa semana foi bem doida em relação a isso. Foi um juntar tudo o que eu sei sobre a doença, conversas com gente que tem parente que tem a doença (eu mesma tenho um tio!), dúvidas quanto ao tratamento, pesquisas sobre o tratamento, descrédito com o tratamento.

E de repente eu percebi que a dermatologista com quem eu passei foi extremamente mecânica em relação a tudo isso. Receitou uma pomada, me disse pra passar duas vezes ao dia, xau-e-bença. Como eu imaginava que seria psoríase, aceitei a confirmação e segui minha vida, não perguntei nada e ela fez o favor de deixar por isso mesmo.

Na segunda-feira, depois de passar a pomada religiosamente quando acordava e antes de dormir durante o fim de semana, olhei para os meus cotovelos e não tinha mais nada (vai, tinha um carocinho que apareceu logo acima do cotovelo esquerdo) e ao mesmo tempo em que fiquei feliz, me assustei. Até quando eu teria que passar essa pomada? Por quanto tempo o corticoide dela não daria nenhuma reação adversa no meu corpo? Eu preciso avisar meu cardiologista que agora eu uso uma pomada com corticoide? Existem hábitos que eu posso ter além da pomada que melhoram a doença e até a impedem de se proliferar pelo resto do meu corpo?

Pelo que pesquisei e depois de passar pelo filtro de mãe \”não acredite em tudo que existe na internet\”, assumi que eu continuava basicamente sem respostas mas que os médicos também continuam. O pouco que aprendi é que além de ser uma doença sem cura, ninguém sabe de onde ela vem. Ou melhor, ela é multifatorial, várias coisas podem fazer você ter psoríase e ela está ligada à genética e saúde emocional.

Inclusive já avisei meu analista sobre ela e a resposta foi \”eu vejo a psoríase como algo que aparece no corpo pra colocar pra fora uma coisa que estava escondida dentro dele\”. Ou seja: meu filho, essa saúde emocional vai ter que vir de qualquer forma!

Minha chefe, que também tem parentes com psoríase, me perguntou hoje depois de eu sentar no solzinho durante o almoço (vitamina D ajuda, aparentemente, então me chamem pros rolês ao ar livre!): qual será que foi o gatilho disso?

E me deu tela azul.

Há dois anos eu vinha empurrando a ida ao dermatologista e eu sei que estava errada em fazer isso, mas era tão pequeno, realmente parecia que eu estava trabalhando demais, com os cotovelos por muito tempo apoiados na mesa. E passou, voltou no final do ano passado e começou a cantar que ali era o lugar dele e ficou de vez.

A verdade é que eu não consigo ver um gatilho, não como a gente imagina um, mas consigo sim enxergar vários probleminhas comigo mesma que sempre estiveram por aqui e que eu facilmente imagino aparecendo tatuado na minha pele conforme o tempo passava e nada daquilo foi sendo resolvido. De vez em quando a vida é sim bem pesada e não estar bem consigo mesmo ajuda demais a tudo ter um tom meio arrastado.

O resultado disso tudo é o corpo dando a mão pra cabeça e cobrando essa dívida que agora nunca mais será paga. Então, minha gente, vai lá ligar pro psicólogo, sai pra tomar sol, corre no parque e toma muita água.

Eu tenho 25 anos, tô me sentindo com 80 essa semana e sei que grande parte disso é susto inicial e exagero. Mas sei também que muitas vezes não é confortável estar com essas manchas, cortes e coceiras na pele e que de agora em diante pode tudo começar a rachar mais rápido dentro de mim. Mas seguimos. Uma nuvem pequena pode cobrir o sol mas eu posso ser essa nuvem também.

#Coraçãonamão