• Napolitano como meu pé

Coração na mão | Das vidas frágeis que a gente vive ou Das paixões

Estive pensando bastante no ponto das coisas. Na verdade eu sempre pensei demais em quais são os objetivos de tudo e ao mesmo tempo em que isso me moveu, me paralisou. Hoje em dia eu entendo porque ter ficado tantas vezes parada por não ter encontrado o ponto de algo. Minha psicóloga tem colocado nesses termos: se está em dúvida, não faça nada. É isso. Eu tenho muitas dúvidas em mim e nas vezes em que resolvi escolher algo, mesmo com toda a dúvida, 100% das vezes deu errado.


Mas agora, na situação atual, a dúvida apareceu e eu entendi, depois de alguns dias, que ela não era minha. Na verdade ela era um sentimento disfarçado, era o receio da dor que resolveu se transmutar em dúvida pra evitar que eu pensasse no ponto certo. Minha cabeça sabota meus sentimentos e meu corpo. Eu sofro tudo com cada pedacinho do meu ser.

E então eu entendi qual o meu ponto. O ponto é que eu eu nunca vivia o que estava acontecendo. Eu nunca estava ali, estava só o meu corpo, coitado, tão magrinho, tão pequeno, podia fazer nada e a dúvida invadia.

Agora, eu consigo perceber que não tem como viver as coisas duas vezes nem prestar atenção em todos os detalhes do que se vive pra lembrar depois (eu achei que se lembrasse de todos os detalhes, acabaria vivendo tudo de novo). Veja bem, eu percebi, não aprendi. Aprender significa que mesmo que eu cometa alguns erros no meio do caminho, vou perceber logo em seguida. Tendo percebido, talvez eu não entenda que errei, mas as chances de ter vivido sem culpa aumentaram.

Aumentaram tanto que já tem acontecido, sabe? A gente passa a viver e perceber a vida e as coisas brilham mais diante dos olhos, a gente brilha mais. Tudo acaba tendo sabor de fruta mordida e dá aquele frio na barriga de quando te contam segredos de liquidificador.

Inconscientemente, comecei a listar as coisas que eu vivi de verdade nos últimos tempos e que deus do céu, por favor, deixa eu viver de novo, vai? Quer dizer. Eu aproveitei todas elas mas elas não são a felicidade, né? São momentinhos de alegria que juntos talvez cheguem extremamente perto de uma felicidade plena. Principalmente porque eu sei que eu me permiti viver tudo isso.

Veja bem, existe aquela música do Nando Reis que tem estado na minha cabeça e não sai nunca mais e eu aqui com medo de ir escutar: Sabe, quando a felicidade invade / Quando pensa na imagem da pessoa / Quando lembra que seus lábios encontraram / Outros lábios de uma pessoa / E o beijo esperado ainda está molhado / E guardado ali / Em sua boca.


Então, essa música. Ela fala do sentimento muito bom de beijar alguém que você quer muito beijar. (E que você talvez ame, talvez não). Eu tô aqui torcendo pra você sentir isso alguma vez na vida. Uma vezinha que seja. Porque é alegria pura correndo pelo seu corpo, é a vida te lembrando o quão deliciosa ela é. E misteriosa. Porque recorrentemente uma vez é tudo o que você tem. E é suficiente, acredite.

E de uma única vez é a Paulista lotada de fãs da sua banda brasileira favorita que há dez anos, só você e sua melhor amiga conheciam. Uma única vez é ir, no seu aniversário, no show cover dos Beatles que uma das suas bandas favoritas fez. Com o amor da sua vida. Porque depois disso, o amor da sua vida vai mudar. Já mudou uma vez, vai mudar de novo e talvez continue mudando. Isso nunca vai acontecer uma vez só. Ainda bem. (As bandas mudam também. Já foi o Erasmo Carlos, já foi Beatles, já foi Vanguart. Bandas e amores andam de braços dados).

Porque se apaixonar é único. Acho que só me apaixonei uma vez. Mas pode ter sido diferente demais em todas as outras três vezes, então eu só não sei (desculpa L por tudo o que eu disse sóbria e desculpa B por tudo o que eu disse bêbada – aconteceu uma vez só também).

Uma única vez é todo mundo cantar junto quando alguém não sabe bem a letra ou não consegue cantar direito. Uma única vez é toda vez dançar no karaokê todas as músicas que cantar. Uma única vez é dançar com a pessoa do seu lado, no meio da rua, a música invisível que só você ouve. E a outra pessoa te acompanha porque a música é essa coisa mágica que consegue ser transmitida pela pele.

Acontece uma única vez acordar de madrugada e encher de beijinhos a pessoa que dorme do seu lado e só parar quando perceber que a pessoa sorriu. Se sentir amado enquanto dorme é a fragilidade mais linda da Terra.

Uma única vez me ocorreu que eu amo as pessoas do jeito mais completo que existe. E que eu sempre estou pronta pra amar qualquer pessoa que aparecer aberto pra me entender e me amar. E essa é a fragilidade que eu mais gostei de sentir até agora.


Ah, teve uma última coisa que eu percebi e foi agorinha. Que nos últimos tempos, eu tive a capacidade de estar apaixonada em todos os momentos. Mesmo aqueles com crises, porque a paixão estava por trás das crises também e você pode ver alguns momentos ao longo desse texto. Espero que ler isso aqui me inspire em momentos de dor intensa.

Não é de se brincar com a vida, porque em pleno dia se morre. (Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres)

#Coraçãonamão